domingo, 1 de novembro de 2009

Das digressões

Cá estou, em mais um novo blog. Dessa vez espero que dure por muito tempo e que renda boas discussões, ideias, oportunidades, enfim, tudo isso e mais.
Minha primeira postagem se revela às 04:58 desta madrugada de novembro, dia 2. Aí vai um texto que escrevi em 2008 mas ilustra bem uma coisa que poucos tem e que todos deveriam ter, vontade de viver, não importa o percalço.

Seu Luís

Era um daqueles velhinhos, robustos e carecas que você encontra aos montes
nas ruas brasileiras de todos os dias sofridos. Bem, ele com seus 60 anos de idade
mas aparentando ter 25, com um sorriso no rosto e vontade de viver. Não é todo
dia que se vê um brasileiro, a única nacionalidade que tem nome originário
de trabalhador, diabético e hiper-tenso, em ambos os sentidos, feliz da vida.

A razão ele me disse, são as mulheres. Elas vivem acabando com as vidas de vários
homens, mas alguns são no mínimo sortudos, e este era um deles.

Ele me contava que numa tarde normal, indo buscar suas siringas para aplicação
de insulina diária no pronto-socorro percebeu que uma morena, linda e muito
bem encorpada como articulado por ele, não tirava os olhos dele, ou de sua careca
muito bem lustrada. Ocorreu-lhe que a vida não é apenas uma cagada de pombo que
virou piada para uma linda mulher e sentou-se ao lado da bela rapariga iniciando
uma conversa duradoura de algumas horas em que conseguiu descobrir o endereço,
celular e arranjou até horário com a mesma, e veja bem, não era mulher da vida.

Mas logo após discorrer sobre a "magavilhosa" morena, ele subitamente fala de seus
filhos e de sua mulher que morreu, mas que ele havia amado intensamente.
Viúvo porém feliz, disse-me. E como a carne é fraca e o homem mais fraco ainda a que
se refere aos pecados carnais arranjou um caso com uma mulher casada e que traía
o marido até dentro de casa. Vendia cachorro-quente na rua e faturava bem,
financiando o motel pro Seu Luís. O corno manso ou marido respeitável como dizia
o velhinho garanhão conversava bastante com este e assim a vida ia caminhando,
ele levando a mulher do corno pro motel de tarde e de noite vivia na maciota.

O mais interessante de toda a conversa eram as risadas. Risadas divertidas,
de uma pessoa que vivia, por mais que cheia de problemas, vivia bem e não apenas
existia. O velhinho de 60 anos, com tudo aquilo já mencionado anteriormente
andava pegando mais mulher que muito cara saudável por aí. E a volúpia do Seu Luís
mostrava todo esse amor pela vida. Não ligava se descobrissem o caso com a mulher
casada, não ligava se tinha outra mulher na agenda telefônica e não ligava também
para quantas vezes repetia as mesmas histórias do dia-a-dia.

Velhinho trè simpatiqué que conheci no ponto de ônibus, numa noite voltando para casa. É a prova de que você pode conhecer quem quer que seja a qualquer hora. E quem sabe não lhe renda um bom texto, uma boa conversa ou talvez apenas uma boa lembrança.

Au revoir, personnes!